sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Memória de um sonho


Junto da água cristalina,
quase tão bela como o teu rosto,
uma brisa entoava as notas saídas
da minha guitarra.

A tua voz,
semelhante ao cantar de uma sereia,
ecoava no horizonte,
onde o pôr-do-sol,
um espaço longínquo mas alcançável,
 abraçava o início de uma noite quente.

Uma cabana iluminada,
pelo calor da fogueira  acesa,
espelhava a tua face,
de uma beleza incomparável.

O teu sorriso,
escondia-se por entre os teus cabelos,
esperando que a minha mão,
levemente, os afastasse.
Os nossos olhos cruzaram-se,
os nossos corpos quentes e reluzentes
aproximaram-se lentamente.

As tuas mãos percorreram,
então, um caminho diferente.
Desciam agora dos teus cabelos
e envolviam as minhas costas.

Através de suaves ondulações,
são se afastando o teu corpo do meu,
as minhas mãos encontram as tuas.
Os nossos dedos entrelaçam-se.
Numa areia quente, aquecida pelos nossos corpos estendidos,
entre oscilações de dois corpos conjugados num só,
os meus lábios encontrariam o calor do teu corpo.


Palavras de um ser exposto à paixão,
eram segredadas, docilmente, ao teu ouvido.
A cada vogal uma gargalhada ecoava na nossa cabana
e os nossos corpos rebolavam num manto de paixão.

A alegria de dois corações
reflectia-se nas sombras de uma fogueira
ainda bem acesa.

Alegria esta, partilhada também pela natureza,
criadora dos nossos corpos.
A mesma  que no seu íntimo os juntou e,
na sua sabedoria, não os separaria.
Não ali, nem num sempre.
Sem inicio ou fim.

A cabana seria a nossa casa.
A fogueira jamais se apagaria.
Na manhã seguinte,
na mesma água cristalina,
onde a minha guitarra te encantou,
Novamente, amor voltaríamos a fazer.
À cabana voltamos,
e na areia por debaixo dos lençóis que viveram a nossa paixão,
as oscilações do nosso corpo escreveram:
Não me deixes ir.

Hugo Barbosa

domingo, 1 de abril de 2012

Carta a uma alma gémea...

Procuro na tinta preta,
que acabas de ler,
dizer-te o quanto gostava de abraçar-te,
o quanto gostava de sentir o teu calor,
que qualquer lugar do mundo a teu lado,
é onde quero estar.

A pronúncia da pequena palavra,
torna-se difícil, não porque não a sinta,
não porque te minta,
Mas porque coragem de olhar-te nos olhos,
e dizê-la,
é o maior desafio que encontraria.

Medo de não o fazer da forma certa,
Medo de não ser convincente,
Medo de ser incapaz de expressar
em pequenas cinco letras
O mar de paixão por ti que em mim vive…

Ao fim de uma página devo estar a chegar,
mas tanto ainda falta escrever.
Não há noite que adormeça sem lembrar-me do teu nome,
Não há manhã em que acorde e não sejas o primeiro pensamento.

Perguntei-me
quando chegaria o dia
em que coragem me bateria à porta.
E confessar-te-ia o que o meu coração pensa
e os meus lábios não expressam.

Chegaria cedo, chegaria tarde,
dúvida ardentemente viva no meu pensamento.
A ausência prolongada de uma resposta,
Não acho que a mereça…


Continuo sem escrever a dita pequena palavra,
Não a escreverei,
Não a expressarei,
Se algum dia juntos estivermos,
Em cada gesto, cada sorriso, cada palavra,
Amo-te virá…

Hugo Barbosa
Noites sem sono

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Caminhar o teu rosto...

Na leveza de um caminhar
Sem destino anunciado,
Meus olhos reflectem
A tristeza de não enxergar o teu rosto.

Lágrimas de um rio oculto,
Vivendo num humano corpo,
Fluem nas ténues linhas
Do meu cansado rosto.

Encontro-te nas páginas de um livro,
Onde letras perfeitas desenhaste,
Suaves curvas os meus dedos
percorrem sobre elas,
reconhecendo o caminho
que outrora a tuas mãos acompanharam…

Recordo o quão caloroso,
Reconfortante e gracioso,
Era esse caminho…
Incomoda-me a incerteza
De não lá voltar a caminhar…

Hugo Barbosa
in Noites sem sono

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Serei feliz?

Oriundo de um lugar que desconheço,
Procurando encontrar-me no que habito,
Assim me levanto cada dia.
Serei feliz?
Talvez sim, talvez não.
Pergunto-me, o que é ser feliz?


Não encontro a resposta em livros,
Quem me dera que o pudesse fazer.
Não desejo a tinta preta escrita por transeuntes,
 que partilham a minha ténue linha  pensante.
Apenas dividir o caminho que assombra o meu inquieto ser
é algo que me apráz.

Egoísta,
Seria assim que muitos me definiriam
Pela confissão que negam a si próprios.
Sou inconsciente quanto à felicidade,
Ou será que ela existe mesmo.
Se sim, Onde habita?

Hugo  Barbosa
in Noites sem sono