sábado, 22 de outubro de 2011

Terra inocente


Pelos campos verdes e floridos,
tipicos desta estação,
uma brisa quente
aquece o meu pálido rosto.

Conforta-me a sua ternura,
o carinho com que rodeia
a minha face.
Tece em mim sensações
que outrora alguém fez sentir.

Sobre a terra castanha e quente,
cultivada e tratada,
deambulo,
desejando que o meu pensamento
fosse como a terra que piso.

Um olhar mais atento
leva-me a pensar que
poucas vezes vislumbramos
a paixão escondida
à nossa volta…

Injustos somos nós
e não a terra que
nem sempre devolve
o fruto semeado…
Injustos porque não retribuímos
a atenção dada.

Ao fim do campo acabo de chegar,
vontade de retornar
ao início não me falta,
contudo, não desejaria ver as pisadas agrestes
que numa terra inocente deixei…

Hugo Barbosa,
in Noites sem sono

sábado, 8 de outubro de 2011

A realidade na noite


Acordo,
como se noite
árdua e fria
tivesse sido,
mas não foi.

No silêncio da noite
vi  estrelas
umas brilhando
outras não,
interroguei-me.

Olhei  em meu redor,
reparei que nem tudo era belo e sublime,
senti-me enganado
e descobri que
as estrelas não eram excepção…

Naquele instante
o tempo parou,
um ardor estranho apoderou-se
do meu peito
e não mais passou…

Saio da porta,
olho a rua,
o mesmo olhar
acompanha cada
passada que dou.

Deambulo,
talvez perdido,
nos meus inocentes sonhos,
um vazio em mim
clama que seja atendido.

Canso-me de respirar
o ar rotineiro
que todos inspiram…
Ai quem me dera
que ele fosse refrescado….

Hugo  Barbosa
in Noites sem sono

Dúvida

Delicio-me no teu cheiro
ainda hoje o recordo
como se te tivesse
olhado pela primeira vez.

Pudera eu esquecer-te
e as minhas noites
serenas e tranquilas seriam,
mas pergunto-me se
valeria a pena esquecer-te.

Avisto a resposta
em cada sorriso que
resplandece do teu rosto,
sempre que uma brisa calma
ergue teus semblantes cabelos.

Essa resposta
gostava eu que fosse fácil
menos dura, menos teimosa...
Meu coração não é grande o suficiente,
tenho medo, sofro cada vez
que a avisto.

Não consigo, não quero
não posso...esquecer-te,
fazê-lo seria trair
os eternos momentos que vivemos.
 
Choro, não tão poucas vezes
quanto os momentos que
me recordo a teu lado,
se para ti foram muitos e curtos
apresso-me a dizer que ainda
hoje os vivo.

Não sei se te procuro,
se te encontrasse
não saberia o que dizer-te,
talvez o meu coração saiba
mas duvido que falasse,
não porque não quisesse
mas pelo medo que tudo acabasse...

Certezas na vida
são tão poucas...
Apenas sei que se hoje
te tivesse olhado
morreria feliz
pois nada mais belo
voltaria a ver...

Hugo Barbosa
in Noites  sem sono